Blog Manguetronic


SÃO PAULO: A VANGUARDA DO ATRASO...

 



Escrito por manguetronic às 22h35
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]




LA ISLA FASCINANTE

(Eduardo Homem, de Cuba. Email/crônica final)

Estou aqui no aeroporto esperando o v"oo pro M'exico, com um olho nas olimp'iadas e outro voltado pr'a dentro, cascavilhando na mem'oria o que de mais interessante aconteceu nesses 'ultimos dias de Havana/Cuba, a'i lembrei que ontem, voltando de Matanzas tarde da noite, depois do batuque na cerim"onia de Yemanja em um terreiro de Santeria, aproveitando o sil"encio sonolento na guagua, pensei que devia haver, se 'e que n'ao h'a, um 'indice da alegria e contenteza de um povo, assim como criaram o do desenvolvimento humano, e que se houvesse, o do povo cubano seria dos mais altos, sen~ao o mais de todos. Em 47 dias de Ilha foram rar'issimos os momentos em que presenciei algum mau humor, nunca um choro, reclamacoes h'a, claro, mas sem o ranco do pessimismo, no m'aximo um certo conformismo com o jeito de ser da gente e com a cultura do lugar, onde o tempo passa sem sofreguid'ao, sem pressa.

 

Eu saio convicto de que as pessoas s'ao contentes e nem arrisco relacionar isso com o regime cinquent'ao, porque Juan Bosh j'a falava um pouco assim em um livro publicado em 1955, " Cuba, la Isla Fascinante". Por certo que tem a ver com a satisfacao das necessidades ditas b'asicas, com fatos como o propagandeado em um cartaz de rua no caminho do aeroporto: "Dez millones de ninos mueren cada ano de enfermedades prevenibles. Ninguno es cubano". Deve ter a ver tamb'em com as praias maravilhosas onde cubanos e cubanas se esbaldam - Varadero no s'abado era, literalmente, um mar de gente em quilometros de praia, sem restricao alguma aa presenca dos nativos em meio aos turistas; com a ausencia do tema violencia no dia a dia das pessoas e na midia, o que me permite trocar 5 mil euros e sair andando pela rua sem nem aventar a possibilidade de um assalto; com a paisagem das cidades livre do lixo publicit'ario, as ruas sem farmacias uma em cima da outra explorando a doenca e a hipocondria; sem bancos e seus juros escorchantes; sem a enxurrada de oferta de coisas perec'iveis e desnecessarias, sem edif'icios cada vez mais altos e repetitivos na sua feiura horrorosa. At'e mesmo sem pol'iticos e a pol'itica onde a mentira 'e a regra e a verdade a excecao que a confirma.

 

Em Cuba n'ao tem pol'itica como a que sofremos nosotros, nem pol'iticos profissionais, os delegados eleitos para a assembl'eia nacional re'unem-se em comiss'oes de trabalho periodicamente e no plen'ario 3 ou 4 vezes por ano para decidir alguma coisa, ou aprovar alguma coisa que j'a foi decidida. E ganahm a vida nos seus afazeres normais, sem verba de gabinete, carro oficial, assessores fantasmas.  Eu n'ao vou correr o risco de dizer que isso 'e 'otimo pro povo cubano, mas pr'a mim, na minha atual irritacao e repulsa ao que vivemos por a'i, parece bem bonzinho.  Agora, que ningu'em que conheci reclamou com veemencia, tamb'em 'e verdade, embora faltem canais de express'ao, sobretudo da juventude, mas isso a galera tem que construir, como n'os achamos que fazemos. O Leonardo Padurra, em um conto de final do mil"enio, passado no bairro chino de Havana, dizia, mais ou menos, que as pessoas se conformam irritadas e quando reclamam o fazem ao l'eo, porque n'ao sabem mais a quem, ou contra o que reclamar. Pode ser, um conformismo conformado por um cotidiano onde o b'asico est'a garantido por um estado paternalista e autorit'ario.

 

Deixando a filosofia de botequim de lado, Habana Vieja vive um ritmo gostoso de restauro, tanto dos monumentos como das casas onde vivem as pessoas, e mesmo quando as pessoas vivem em algum monumento, como na Plaza Vieja, seguem vivendo depois da restauracao. Ali'as, nem saem durante os trabalhos, com os quais contribuem na medida da sua habilidade e possibilidade. Semana passada estava at'e rolando um simp'osio internacional de restaro e gestao de s'itios hist'oricos, mas n'ao deu pra passar do cartaz informativo em algum lugar onde estive, s'o fiquei sabendo que o restaurador chefe de Havana Vieja 'e considerado A autoridade mundial no assunto. D'a pra ver e sentir andando pelas calles. 

 

Bom, o aviao da Mexicana chegou, vou tomar o ultimo morito antes da tequila. Besitos e xeritos. Duda

 



Escrito por manguetronic às 00h37
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Histórico
Outros sites
  blissblog
  aurora boulevard
  recombo
  blog do mino
  exit (robert kurz)
  mystery poster
  mundo livre
  o carapuceiro
  reduto do comodoro
  recife rock
  kinemail
  entrelinhas
  blog do nassif
  faking it
  trabalho sujo
  rio fanzine
  brazilian nuggets
Votação
  Dê uma nota para meu blog