Blog Manguetronic


VACA SAGRADA (2)

Bom, hoje j'a 'e quarta feira, dia 6, estivemos atravessando a Ilha de leste para oeste, pr'oximo ao litoral sul, depois cruzamos o pa'is para o norte e chegamos ontem a Matanzas, 100 km a leste de Havana. Passamos por Majagua, distrito de Cierro D"Avila, Trinidad, Cienfuegos, Jovellanos e ca estamos. Nossa busca nessa viagem at'e Havana se concentra em praticas religiosas distintas das que conhecemos na regiao de Santiago. Em Majagua foi a Fiesta de los Bandos, profana ; em Trinidad, lindo centro historico e uma praia caribenha magnif'ica com um hotel de pessimo gosto, chamada Ancon; em Cienfuegos, outra cidade com um centro historico e um boulevard espanhois lindos e muito bem conservados, ficamos alojados na casa de hospedes do CDR provincial e seus dirigentes nos apresentaram ao Arara, originario do Benin, porque tamb'em s'ao os l'ideres espirituais locais. Ali'as, aqui tive oportunidade de perguntar sobre as funcoes atuais dos Comites de Defesa da Revolucao e a primeira que me citaram foi a organizacao da limpeza das ruas. Isso mesmo, uma vez por mes, na terceira sexta-feira, o CDR da rua organiza os voluntarios para uma fachina geral no pedaco,  o que mais ou menos explica como um pais sem cestos de lixo tem cidades tao limpas.

 

A outra funcao 'e organizar e realizar campanhas como doacao de sangue; a vigilancia por rua, pois toda noite um cidadao voluntario fica acordado (sic) vigiando o pedaco; relacionar e fichar os visitantes temporarios, quer dizer, se um primo de outra cidade vem passar uns dias na tua casa, deve se dirigir ao CDR para se dar a conhecer. Em Jovellanos, a Santeria, nosso Candomble, em um pueblo bem pequeno, tivemos que nos espalhar pelos quartos de uma 'unica casa, s'o que um deles esta completamente ocupado por garrafas longneck de cerveja Bucanero. O que 'e isso gente, um deposito clandestino de cerveja? Bem, era um dep'osiito meio que clandestino, s'o que de molho de tomate, feito e vendido abertamente pelo casal a 3 pesos a garrafa. Mas isso pode? N'ao, n'ao pode, mas rola, inclusive porque a cozinha cubana usa molho de tomate em quase tudo, 'e a chamada salsa, ou cozimento com o molho. Ou seja, o cubano vai empurrando com jeito a econmia para uma abertura que o Raul reconheceu necessaria na sua assuncao ao cargo maior. Como vao fazer isso, nem eles parecem saber ainda. Mas a galera com criatividade ou alguma posse, como uma casa mais o menos vai se virando.

 

Em Cienfuegos, por exemplo, existem mais de 350 casas de alquiller, o que significa uns 400 quartos para estrangeiros. Aqui em Matanzas s'ao mais de 500, por conta da proximidade com Varadero. N'os estamos em um sobrado espanhol do s'eculo XIX, restaurado pelos proprietarios, com vigas e portas de cedro, vitrais, piso cer"amico, um terraco interno aberto 'as estrelas, que ao sol faz um calor dos infernos, p'e direito interno de uns 5 metros, vige, que beleza. E o quarto duplo custa 25 CUC por noite, com ar condicionado, frigobar, banheiro com 'agua quente e  fria, cesto de lixo com cara de cachorrinho....

 

Voltando 'a problematica, o transporte urbano parece ser o martirio maior dos/as cubanos/as que vivem nas cidades m'edias e grandes. Eu j'a falei dos caminh'oes adaptados que la em Santiago carregam gente como se carrega bicho pro matadouro, mas depois de atravesssar o pa'is d'a pra ver que o sofrimento e a espera 'e grande em todo canto. Tem um lado bonito/bucolico, porque as outras cidades pelas quais passamos, sem as ladeiras de Santiago, tem muitas, muitas mesmo, charretes e bicitaxis, e voces podem imaginar o que isso provoca na paisagem urbana.

 

Em Jovellanos, pueblito pequeno, acordamos ao amanhecer com o toc-toc dos cavalos puxando as charretes.  Mas quando se precisa ir pro trabalho ou voltar pra casa em distancias maiores, o drama das pessoas 'e grande. O transporte inter-municipal, ao contrario, parece bem resolvido por onibus modernos, chineses, que cruzam o pa'is com frequencia e rapidez. Subsiste o trem, mas o sistema foi sucateado por forca do petroleo sovietico barato ou pela ideologia automobil'istica, sei l'a. Ainda assim, s'o os desportistas ou artistas famosos, os medicos, sobretudo os que voltam de um tempo no exterior, tem permiss'ao para comprar um automovel novo. O cubano comum, so antigo. Moto tamb'em n'ao ha novas, so as da Europa oriental dos tempos sovieticos, quando muitos cubanos andavam por la em missoes militares. Por isso em Santiago todas as moto-taxis tem um dono que as aluga para a garotada por 100 pesos diarios e eles que tratem de transportar o povo pra livrar a grana do dia.

 

Matanzas 'e a porta de entrada da Santeria em C. A lingua 'e o Yoruba, os tambores de fundamento sao os mesmos, os santos tambem e a musica depois da celebracao 'e a rumba. Ontem estivemos na Casa mais tradicional da regiao, hoje vamos para Havana e no s'abado voltamos para uma festa religiosa que termina com rumba. Vai ser nossa despedida. At'e j'a gente, com besitos e xeritos.

 



Escrito por manguetronic às 14h18
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VACA SAGRADA (1)

*Mais uma crônica/e-mail enviada de Cuba por Eduardo Homem (TV Viva) durante as filmagens de um documentário sobre as relações entre a cultura da ilha e a de Pernambuco.

 

HOJE 'E quinta, 31, 21:30, nossa 'ultima noite em Santiago. Amanha sa'imos para La Habana, mas parando em Majagua, Cienfuegos, Matanzas e Pinar del Rio. Acabamos de chegar d'el Cobre, o distrito de Santiago onde Madelaine, o sacerdote do espiritismo cruzado, nos preparou uma despedida. Como quase sempre, bode, porco e ron, muito ron, come-se muito e bebe-se mais ainda. E falando em bode, na segunda, ao chegar de Baracoa, fomos surpreendidos pela Elizabeth, dona da casa onde nos hospedamos, com bife 'a milanesa no almoco, carne de boi, coisa rara na Ilha. Ali'as, fora os 5 meses em Mocambique logo depois da independ"encia, n'ao lembro de ter ficado tanto tempo sem comer carne de boi. Mas no meio do almoco Elizabeth nos diz para aproveitarmos e comer muito porque era carne ilegal e Abiguita comenta que est'avamos cometendo um crime pass'ivel de uma condenacao a quinze anos de prisao.

 

Eu achei graca, claro, disse que n'ao era poss'ivel, que n'ao acreditava, quando todos os/as cubanas presentes disseram mais: se voce for reincidente em matar um boi/vaca sem autorizacao ou vender a carne no mercado negro, pode pegar at'e 25 anos de cana. Malandro, o est"omago deu uma reviravolta porque o lance 'e s'erio, embora a carne ilegal exista no tal do mercado negro. E se diz assim, negro, porque negro em Cuba continua sendo uma designacao para ruin, mal, feio, embora a maioria da populacao seja negra.

 

Mas este 'e outro assunto e voltando ao mercado paralelo, nele se tem de quase tudo, porque de quase tudo se tem em Cuba, embora nas tiendas que vendem em CUC, ou pesos convertibles, cada qual valendo U$ 1,20 e que a maioria da populacao n'ao tem. Camarao 'e o mesmo, temos comido muito, do mar, mas comprado no paralelo porque 'e tempo de pesca proibida, como a lagosta maravilhosa de Ciboney.  Voltando 'as vacas, quando nasce um bezerro o dono tem at'e quinze dias para fazer o registro do bicho, mas se lhe nasce um filho ou filha, n'ao necessita registrar em tempo algum. A vaca 'e mais sagrada em Cuba do que na I'ndia, quem diria!!! E a explicacao 'e que como tem pouco gado bovino, sua carne 'e destinada para criancas do pr'e-escolar, enfermos com anemia e que tais, e etc. O problema parece estar no etc.

 

Na terca fomos a Thompson y Barranca, duas comunidades de trabalhadores assalariados da zona canavieira de Santiago, vizinha da maior divisao de tanques do Oriente da Ilha. Como no Brasil, 'e flagrante a diferenca entre os pequenos agricultores familiares que cultivam sua terra, dos assalariados. Aqui n'ao h'a desemprego temporario, todo mundo tem casa com energia, geladeira, tv, som, galinha, porco e bode no terreiro, escola, posto de sa'ude, mas ainda assim a diferenca 'e grande, porque os salarios dos trabalhadores da cana s'ao os menores do pais, n'ao ganham nem 300 pesos por mes. Conting"encias do mercado internacional de produtos prim'arios, realmente fica dif'icil remunerar melhor a m'ao de obra local se o acucar cubano compete com o brasileiro, cuja mao de obra 'e hiper explorada.

 

Disseram-me que agora estao investindo em acucar org"anico, que tem um preco muito mais alto no mercado internacional, inclusive porque, com a universalizacao da educacao, como a m'ao de obra para o trabalho bracal e brutal se reproduz?  N'ao 'e a toa que essas comunidades s'ao de origem haitiana. E na casa onde acabamos dormindo, porque a chuva torrencial nos impediu de voltar, uma das filhas 'e tecnica em inform'atica e a outra esta cursando medicina. No quarto onde dormi, desalojando as duas meninas da casa por conta da hospitalidade campesina internacional, havia um computador e na sala uma televis'ao com tela plana de 29" que pertencem 'a escola local, guardadas ali por conta das f'erias e como medida de seguranca (sic).  Noite estrelada do hemisf'erio norte, 82 litros de ron e 6 bodes animaram o ga-ga at'e umas horas, porque era ele a nossa intencao, ritmo e danca que nos disseram ser o mais parecido com o nosso maracatu rural. Nao acho, mas valeu. No final, a queima do diablo, uma fogueira em forma de cone, em cujas brasas pulam e dancam uns caras alucinados de entusiasmo e ron, claro.

 

Afinal, ontem conhecemos um poquito da cultura contempor"anea cubana de boa qualidade, grupos jovens de hip-hop, grafiteiros, rappers, como no Brasil, marginalizados, hostilizados, sem acesso a meios alguns, quem dir'a os de comunicacao. Filmamos um est'udio onde a galera grava seus trabalhos que fica no quarto de um deles, menos de 3 por 3, em meio 'a cama de casal, armario, uma precaridade cheia de energia boa e produtiva. Depois um concierto na calle, no bairro Portoondo, de origem jamaicana, com dois grupos de hip-hop muito bons, meninos que, como Chico Science e a rapaziada do Alto Z'e do Pinho, mesclam o son, o merengue, o reggae com o contempor"aneo, mais as suas preocupacoes socio-politico-culturais, e fazem uma musica e uma poesia de prima. Foi linda a interacao, inclusive porque um deles acaba de passar 5 meses no Brasil, BH, SP e RJ, e voltou encantado com a m'usica brasileira, imaginem, com Bezerra da Silva, com o repente nordestino e, claro, o hip-hop mais marginalizado da periferia.  Como ele disse, "periferia 'e periferia em qualquer lugar do mundo, sob qualquer regime".

 

Ele disse tamb'em que o movimento jovem mais rebelde nao quer derrubar o regime nem tem nos cubanos de Miami o seu ideal, mas sim chamar a atencao do poder na Ilha para suas preocupacoes e necessidades. O fato 'e que mesmo gentes como as que fazem a Casa del Caribe, antenadas na cultura, veem o hip-hop com preconceito, como se fosse uma moda importada e n'ao atenta para sua poesia e seu protesto, ficando cega para um movimento scial jovem e din"amico que pode ajudar muito na direcao das transformacoes que vao acontecer por aqui. Porque o poder 'e branco, careta, de meia idade, se diz comunista e/ou catolica, olha demais pro proprio umbigo cheia de certezas e essa juventude 'e negra, sensual, irreverente, com muitas interrogacoes e cre no panteao dos deuses africanos.

 



Escrito por manguetronic às 14h16
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EXORCISMO DE SARAH PALIN

 



Escrito por manguetronic às 18h09
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GUANTÁNAMO

 

*Mais uma crônica/e-mail enviada de Cuba por Eduardo Homem (TV Viva) durante as filmagens de um documentário sobre as relações entre a cultura da ilha e a de Pernambuco.

 

FFui ligar o computador e a luz apagou, 'e o celebre apagon quase di'ario, que em geral dura pouco, mas pode durar horas. Assim, vou desligar por aqui pois o mac j'a est'a quentinho. At'e j'a, n'ao sei se ainda hoje porque 'e Carnaval, e temos que gravar, e pular tamb'em, ou arrastar os p'es atr'as da conga. Voltei, durou pouco o apagon, duro era no que os cubanos chamam de Per'iodo Especial, entre 92 e 2000, quando eles viveram como se estivessem em guerra, a'i durava horas o apagon di'ario e a galera ficava muito irada quando pegava a hora da novela, brasileira, por supuesto.

 

Mas acho que j'a falei disso a'i e terminei o 'ultimo papo indo pra Sierra Maestra, uma cerim"onia de Vodu do bruxo Pablo Milan"es. Foi muito linda, a festa da comunidade, todo mundo dancando ao som de um batuque contagiante, e a cerim"onia religiosa acontecendo em paralelo, melhor, em meio. Pra comecar, o sacrif[icio de um bode e duas galinhas pra abrir o caminho at,e o peiji, Muita reza, muita bencao, muuita conversa dentro de peiji, tudo sempre regado a muita beberragem com ervas e baforadas no charuto. Mais tarde, o ritual j'a avancado, outros dois bodes, duas galinhas e um porco va'o pro sacrif'icio, os bodes e galinhas na palhoca onde o povo danca e toca, o porco dentro do peiji e a'i a cena mais impactante, os sacerdotes capam o bicho j'a morto e poem-se a lamber seus colh'oes. 'E forte, gente, e que bateu o medo de que quem estivesse dentro do peiji tivesse que dar uma lambida, isso bateu.

 

Madrugada a dentro deixamos a Sierra Maestra, onde as mulheres e homens seguiram tocando, dancando e preparando os bichos mortos para a comedoria do final. Nos j'a haviamos comido das primeiras galinhas e do bode morto no principio e provado das iguarias postas na Mesa dos Mortos, que t^em de tudo quanto 'e comida, frutas, doces e salgados, liberados pra consumo humano depois de passada uma certa parte da cerim"onia.

 

Depois da Sierra fomos para Guantanamo. E nesse ponto exato a luz se foi de novo. Desligo.  Volto dois dias depois, quase meio-dia, los Carnavalis s'ao uma pedreira de trabalho e animacao. Mas a ida a Guantanamo foi tamb'em reveladora de outros aspectos cubanos, como a presenca da igreja batista e a organizacao espacial da cidade, com certeza influ"encias da base americana, onde ainda trabalham 3 cubanos dos milhares que trabalhavam at'e n'ao lembro quantos anos atr'as, mas n'ao tantos assim como sugere a guerra de palavras entre os dois pa'iises. O pai do dirigente da cultura local 'e um deles e uma vez por semana vai a base porque est'a tratando da sua aposentadoria. E o filho, do governo e do partido, tamb'em 'e da igreja batista. Da cidade n'ao se v"e a base, mas a noite se inunda com sua iluminacao fe'erica, principalmente quando se est'a descendo a serra vindo de Baracoa.

 

Com a base e a economia centrada em plantations de cana e caf'e, Guantanamo recebeu gente de todo o Caribe ao longo do s'eculo XX, por isso 'e forte a influ"encia jamaicana, haitiana, o que se revela na cultura da regi'ao. A'i gravamos a Tumba Francesa, uma mistura de tambores e cantos franco-africanos com a mis-en-scene dos sal'oes do s'eculo XIX onde se valsava e suava sob aquela quantidade de roupas. Imaginem no Caribe onde o calor e a umidade 'e de fazer suar o esp'irito. Depois, a Danca dos Mortos, tamb'em de origem haitiana, uma coisa mais chegada no vodu, dancarinos negros com a cara pintada de branco, uma evolucao que alguns de n'os acharam ter inspirado o Michael Jackson, mas o dancarino principal muito expressivo, os olhos saltados da orbita dancam junto com o corpo, representando a Morte que desperta seres inertes para a danca em seu louvor. Bem impressionante.

 

Dormirmos nos quartos vagos de uma Escola de Artes Pl'asticas, onde 125 alunos do n'ivel m'edio, internos, estudam pintura, escultura, gravura em tempo integral por 4 anos e, pelo que vi, produzem suas pecas com total liberdade criativa, livres tambem do realismo socialista que ainda marca muitos dos monumentos revolucion'arios. Na entrada da escola, um mural tipo mexicano, convive com quadros dalinianos, cubistas, tem de tudo. Uma exposicao de primeiro-anistas revela talentos potenciais interessantes, mas o mais legal 'e saber que o governo esta implantando uma escola dessas em cada prov'incia do pa'is, com instalacoes bastante satisfat'orias, amplas, ajardinadas, campos de esporte, energia solar, gostei de ver e saber, afinal a Cultura 'e a base da transformacao mais radical do indiv'iduo e da sociedade, pois n'ao?

 

Dia seguinte, apos costear o Caribe por mais de uma hora, cruzamos a Serra Cristal para chegar ao Atl"antico. Subimos mais de mil metros, serra com uma vegetacao que vai da mata atlantica a ciprestes e pinheiros trazidos pelos russos para reflorestar a mata arrazada nos tempos do Batista. 'E curioso, parece o Paran'a na regiao da nascente do rio Negro, que corre para dentro do pa'is, em meio a pinheiros e arauc'arias, deixando a Mata Atlantica que desce at'e o mar. 'E muito bonita a viagem, dizem ser a estrada mais bela da Ilha, leva umas 4 horas para vencer os 260 km de dist"ancia entre Guantanamo e Baracoa, muitas curvas, estrada antiga, mas bem conservada pros padroes brasileiros.

 

Baracoa, 'e a cidade mais antiqa de Cuba, 1511, muito bonita com seus casar'oes seculares, 'e a mais tur'istica do Oriente. Muitas casas de alquiller que contribuem para aumentar a renda individual. Nosso grupo, 5 brasileiros/as e 4 cubanos/a, ocupamos 3 quartos para estrangeiros, a 25 CUC di'arios cada, e 2 para cubanos, a 60 pesos cubanos (2,4 CUC) di'arios cada, com caf'e da manh'a.  A diferenca de preco 'e brutal, mas o servico ofertado quase o mesmo, na maioria das vezes s'o falta ar condicionado nos quartos para cubanos, equipados s'o com ventilador. Claro que nesse calor daqui, faz diferenca, mas n'ao justifica pre;os tao d'ispares. Ou seja, 'e pol'itica p'ublica de turismo que n'ao influencia o turismo interno no sentido negativo. A comida, 'otima, em um restaurante tamb'em privado, a 6 CUCs o prato, peixe com um molho a base de coco e limao, muito barato mesmo para uma producao pobre como a nossa, proibitivo para cubanos. Da'i s'o haver turistas branquelos comendo, fora os "nossos" cubanos. Ninguem me pediu nada na rua, s'o oferta de cds, chocolates, famosos em Cuba os de Baracoa, e cocorucho, um doce de coco que 'e vendido envolto em um cone feito com a folha seca do coqueiro, gostosissimo mesmo para mim que quase n'ao como doce.  Vou tentar chegar com alguns no Brasil, mas n'ao creio que sobrevivam. 

 

Mais um dia, outra comunidade campesina, originaria de uma s'o fam'ilia, todos propriet'arios do seu pedaco de terra, onde cultivam cafe, cacau, banana, coco e hortalicas, al'em de criar principalmente porco e galinha. Um rio atravessa as terras da comunidade Kiriba-Neg'on e desagua no mar Atlantico, que aqui forma enseadas tipo ferradura lindissimas, 'agua verde esmeralda transparente, tomamos um banho em um lugar onde s'o havia uma casa de pescador e ambiente feito para camping, que rola apesar da falta de estrutura. Tipo Buzios ou Cupe nos bons tempos.  Mas nosso interesse nessa comunidade era o Neg'on que cultivam, som origin'ario de toda a m'usica da Ilha. No grupo, os homens tocam violao, maraca, timbales (ou bongo), um metal que faz meio as vezes de um agogo e um instrumento que 'e uma caixa de ressoncia com tiras de metal de diferentes comprimentos e larguras, que, estivadas e soltas fazem o som do baixo. O cantor puxa a m'usica, os outros fazem o coro e casais dancam uma danca compassada, na qual voc'e s'o vislumbra a exuber"ancia da Salsa, mas ela est'a la, nos seus prim'ordios.

 

Depois aproveitamos para gravar um papo com dois dos campesinos sobre sua vida de produtores rurais, como plantam, como comercializam, a vida no campo. Fizemos isso para mostrar para as comunidades de pequenos agricultores familiares com as quais trabalhamos no Nordeste e tenho certeza que vai emocionar pelas identidades nos fazeres e aconteceres. Como nas comunidades brasileiras, sobretudo as que estao trabalhando com agro-ecologia h'a alguns anos, n'ao h'a rics, mas todos t"em a mesa farta. A'em dos confortos da modernidade, casa de alvenaria e o telhado de zinco t'ipico de Cuba ou a laje preparada para suportar um outro andar, geladeira, televis'ao, sala de estar, de jantar, pelo menos dois quartos, etc e tal. Bom mesa farta era a que estava posta para filmarmos e comermos, com o porco que rodava empalado sobre as brasas no buraco cavado no ch'ao ali do lado. D'a trabalho bracal assar o porco, o caboclo fica umas duas horas e meia rodando o pau que atravessa o bicho, mas o final compensa. Del'icia. Na mesa, muita comida a base de banana, inclusive uma que voc"e jura ser a nossa pamonha nordestina, mas nao 'e milho, 'e banana verde ralada cozida com ou sem alguma carne, envolta na folha da bananeira. Arroz no coco, quiabo, banana frita e cozida, galinha cozida, vagem, outros pratos cujo nome n'ao lembro e muitos doces. Banquete campesino...

 



Escrito por manguetronic às 12h39
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